texto de Regina Soares Jurkewicz: Doutora em Ciências da Religião. Membro da Coordenação de “Católicas pelo Direito de Decidir”. Docente na Universidade Guarulhos.
Falar em aborto significa tocar em um tema que tem relação direta com os direitos individuais e ao mesmo tempo com a construção de sociedades democráticas. Talvez essa seja uma das questões éticas que mais tem impactado e questionado os/as brasileiros/as nos últimos anos.
Posicionar-se favoravelmente frente à legalização do aborto, implica em considerar e respeitar simultaneamente direitos sociais e individuais. A lei deve garantir aos/às cidadãos/ãs os direitos previstos em nossa Constituição, assegurando o exercício da liberdade, um dos direitos mais reconhecidos na história moderna.
A questão não é ser favorável ao aborto, mas favorável à sua legalização. No entanto, o progresso de uma legislação que contemple o direito ao aborto tem sido fortemente prejudicado pelo desrespeito à laicidade do Estado. Já há alguns anos observa-se o surgimento de iniciativas no Legislativo destinadas a promover os direitos sexuais e direitos reprodutivos e a descriminalização do aborto. Em geral essas iniciativas surgem da parceria de organizações feministas com parlamentares que têm em seu horizonte a equidade de gênero, a construção de sociedades democráticas, pluralistas e inclusivas.
Ao mesmo tempo, segmentos conservadores tentam impedir esse processo, sobretudo setores das igrejas Católica e Evangélica que constituem ou apóiam grupos autodenominados “pró vida”. Tais grupos defendem a criminalização do aborto em qualquer situação, mesmo naquelas em que o aborto não é punido no Brasil: risco de vida da gestante, gravidez como consequência de estupro e agora, também nos casos de comprovada gravidez de fetos anencefálicos.
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Por Leonardo Sakamoto. Jornalista e doutor em Ciência Política.
O Cristo Redentor completou 80 anos nessa quarta (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida.
Poucas pessoas que visitaram o monumento não ficam maravilhadas com a vista, lá de cima, do Morro do Corcovado, de uma das mais belas cidades do planeta. O que não impede, contudo, de muitos terem achado um tremendo exagero a eleição da estátua como uma das sete novas maravilhas do mundo – concurso realizado por uma fundação suíça, que também elegeu o Taj Mahal (!), o Coliseu (!!) e Machu Picchu (!!!), entre outros monumentos históricos. Perceberam a desproporcionalidade histórica e a paulada no significado da palavra “maravilha”?
Mas como a votação foi pela internet e houve até campanha de veículos de comunicação brasileiros inflamando o que há de pior em nosso ufanismo patriótico (se é que há algo de bom nesse caldo), era claro que o monumento de gosto estilístico duvidoso fosse entrar nesse hall da fama.
Em um país de maioria católica (não praticante, é claro, e que apela para todas as forças do universo em um sincretismo fascinante nos momentos de dificuldade), a estátua, que fica sob os cuidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro, tem sua importância. Se aquela referência faz bem à grande maioria das pessoas e não ofende uma minoria, não há problema. O difícil não é ter que conviver com um símbolo de uma crença que não é a sua na rua – a isso damos o nome de tolerância, que deveria ser melhor cultivada por estas bandas, o que protegeria o direito de culto em igrejas, templos e terreiros. O ruim é saber que a presença desses símbolos em prédios que pertencem ao poder público mostram que a saudável e necessária separação entre fé e Estado não ocorre por aqui.
A questão da retirada de crucifixos, imagens religiosas e afins de repartições públicas gerou polêmicas ao longo da história a partir do momento em que um Estado se afirma laico (e não desde o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, no ano passado, que previa essa ação). A França retirou os símbolos religiosos de sedes de governos, tribunais e escolas públicas no final do século 19. Nossa primeira Constituição republicana já contemplava a separação entre Estado e Igreja, mas estamos 120 anos atrasados em cumprir a promessas dos legisladores de então.
O Novo Mapa das Religiões, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), traz más notícias para a comunidade católica. A proporção de católicos em 2009 foi a menor registrada em quase 140 anos de pesquisas estatísticas no País, aponta o estudo.
Embora continue maioria, a população católica chegou a 68,43% do total de brasileiros, o equivalente a 130 milhões de pessoas. Pela primeira vez a proporção foi menor de 70%.
A queda mais acentuada aconteceu justamente entre os jovens de 10 a 19 anos. A proporção de jovens católicos no Brasil caiu 9%, passando de 74,13% para 67,48%.
Embora sejam mais religiosas que os homens, as mulheres são menos católicas já há algumas décadas. A maior proporção do sexo feminino está nas religiões evangélicas e espiritualistas.
“Questões centrais para as mulheres de hoje, como contracepção, divórcio e aborto são tabus para a Igreja Católica, que tampouco incentivou sua conquista profissional”, diz o estudo de Marcelo Néri.
Segundo o estudo, a proporção de católicos vinha se mantendo constante no início dos anos 2000, mas caiu entre 2003 e 2009. No mesmo período, houve aumento na proporção de evangélicos no país (de 17,9% para 20,3% da população). O grupo de pessoas que não têm nenhuma religião também subiu. No início da década de 2000, o índice dos sem religião havia caído de 7,4% para 5,1%.
Diferenças Entre os Estados brasileiros, o Piauí tem o maior número de católicos (87,93%), seguido por Ceará (81%) e Paraíba (80,25%). Os menos católicos são Roraima (46,78%), Rio (49,83%) e Acre (50,73%). Roraima também tem mais pessoas sem religião (19,39%), seguido do Rio (15,95%). Há mais evangélicos no Acre (24,18%), e Sergipe tem o menor percentual (4,75%). O Rio lidera em religiões espíritas (3,37%) e afro-brasileiras (1,61%), e São Paulo tem mais religiões orientais (0,78%).
Com informações de:
http://www.fgv.br/cps/religiao/
http://cps.fgv.br/ren
Brasil pode deixar de ser o país mais católico do mundo em 20 anos, aponta pesquisa da FGV (clica Brasilia 24/08/2011)
Brasil perde 7,26% dos católicos em 6 anos (Destak Jornal em 24.08.2011)
BRASIL PERDE 7,26% DOS CATÓLICOS 25/08/2011
Em 13/09/2011 – Carta Capital - Brasil
Quando a Cidade do México aprovou a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, bispos e padres promoveram uma ruidosa mobilização na tentativa de derrubar a lei, em vigor na capital mexicana desde abril de 2007. O esforço resultou inútil. Passado pouco mais de um ano, a Corte Suprema de Justiça confirmaria a constitucionalidade do texto, desafiando a Igreja na nação com o maior número de católicos do mundo depois do Brasil. A partir de então, o teólogo mexicano Julián Cruzalta, homem de gestos medidos e fala serena, perdeu a paz. Tornou-se alvo recorrente de cobranças da hierarquia eclesiástica e de ataques ferozes por parte de religiosos conservadores. (CLAM)
Veja trecho abaixo da matéria, com fala de Julián Cruzalta ( professor do Centro Teológico da Conferência de Institutos Religiosos do México) sobre o tema da descriminalização do aborto:
“Os conservadores disseminaram a tese de que haveria fila nos hospitais para as mulheres abortarem e me acusaram de defender a indústria da morte. Não desejo que nenhuma mulher latino-americana aborte, mas também não quero ver nenhuma delas ser presa ou morrer em abortos clandestinos. Em quatro anos de descriminalização, pouco mais de 60 mil mulheres fizeram abortos legais na Cidade do México, uma metrópole com 20 milhões de habitantes. Somente uma delas morreu. Antes, era impossível saber quantas mulheres eram hospitalizadas ou morriam.”
“Não posso apoiar uma lei que criminaliza as mulheres. O papa voltou a condenar o aborto na última visita que fez a Madri. Mas ele não corre o risco de morrer vítima de um procedimento clandestino malsucedido”
Para ver a matéria completa acesse:
http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/o-frei-e-o-aborto
Veja abaixo o video que mostra como o Papa foi evitado em Madrid durante a Jornada Mundial da Juventude 2011. Notícias indicam que o proximo encontro de 2013 será no Rio de Janeiro.
Vamos pensando em algo semelhante?
Mais informações sobre o aplicativo no site: www.appapa.org


