Nessa semana, há 6 anos atrás, na Colômbia; o aborto foi legalizado em casos de estupro, fetos com má formação e gestações que coloquem em risco a vida da mãe
Apesar das ordens judiciais, os obstáculos para se realizar o aborto legal são inúmeras. Apesar da sentença ser clara, mulheres continuam encontrando obstáculos legais para interromper voluntariamente a gestação. A ONG La Mesa por la Vida y la Salud de las Mujeres, que acompanhou 360 casos, comunicou que apenas seis de dez solicitações de aborto ao sistema de saúde são atendidos. E ainda nesses seis, é necessário cumprir protocolos burocráticos como arquivar o direito de petição ou tutela. Outro obstáculo, ainda mais agressivo, é a pressão psicológica que as mulheres sofrem nos hospitais quando vão realizar o aborto.
A negligência do Estado diante da situação é grave. A Corte Constitucional, pressionada pelas organizações em defesa dos direitos das mulheres, tomou a decisão ineficaz de preparar “um novo pronunciamento para recordar as instituições relacionadas com o tema que quando se cumpre as três condições impostas pelo Tribunal Superior, não existe possibilidade de que se negue o direito ao aborto”. Pedidos de aborto negados, no entanto, continuam acontecendo.
Nos últimos seis anos, desde a aprovação da lei, foram feitos 251 abortos justificados por estupro. Outros 516, por má formação do feto e 178 por risco de morte para a mãe. Outras causas específicas registram 157 casos.
Para completar a situação, Mônica Roa, advogada e diretora de programas da organização Women’s Link Worldwide ; que representou a ação que despenalizou o aborto na Colombia, há 6 anos atrás, sofreu um atentado; justamente nessa semana, quando o prédio onde funciona a Women’s Link Worldwide recebeu vários disparos de tiros. Vários funcionários, além de Mônica estavam realizando uma reunião no local, durante a tarde do dia 7 de maio de 2012, aproximadamente as 18:30h, quando uma das balas atravessou um dos vidros do prédio e passou logo acima da cabeça de Mônica. Felizmente, ninguém saiu ferido e a pessoa que fez os disparos não foi identificada. Várias organizações têm manifestado seu apoio à Monica Roa e a Women’s Link Worldwide.
Deixamos aqui nosso apoio à Mônica Roa e a Women’s Link Worldwide junto a causa pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres na Colômbia e no mundo.
Com dados da fonte: Colômbia – Aborto legal é negligenciado pelo Estado (Causa Operária Online 11/05/2012) e com dados das notas abaixo
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